“Será o cinema aquele que mais propagou a arquitetura?”, provoca Paulo Leônidas

Data: 01/06/2017
Fonte: Imprensa IAB RS / Jornal JÁ

Ao longo de sua trajetória como arquiteto, Paulo Leônidas foi se dando conta da participação da arquitetura no cinema. É esta intersecção que Leônidas vem estudando nos últimos trinta anos. “Um voo rasante” sobre seus trabalhos e pesquisas nesta área foi o mote de sua palestra, na noite de quarta-feira, no evento Quarta no IAB, na sede da entidade, o Solar da rua General Canabarro.

Esta relação é tão antiga quanto o próprio cinema, defende Leônidas. Em sua palestra, ele apresentou as primeiras imagens do cinema, feitas pelos irmãos Lumiére, em 1895. As imagens mostram a saída dos trabalhadores da fábrica Lumiére, trazendo como plano de fundo a arquitetura da fábrica.
 
                                         “A arquitetura é o universo da narrativa”, sintetizou Paulo Leônidas.

Paulo Leônidas é destes entrevistados difíceis de classificar em poucas palavras, por atuar em diversas áreas. Se define como “um arquiteto que filma.” É arquiteto de formação. Lecionou História da Arte e da Arquiterura na UFRGS, na Uniritter e na renomada Architectural Association, de Londres. Desde a década de oitenta se dedica também ao cinema, tendo atuado como cenógrafo, diretor, diretor de arte e roteirista. “A arquitetura me levou até o cinema. E o cinema me ajudou a entender a arquitetura”, afirma.

A partir desta época, passou a ser comum nas produções nacionais de cinema terem um arquiteto ou um grupo de arquitetos pensando o cenário, a arquitetura. “O processo lógica de criação é o mesmo, os programas utilizados são os mesmos e muitas vezes os materiais também. O cinema constrói espaços.”
 
Três diálogos entre arquitetura e cinema
 

 
O tema da palestra foi “Arquitetura e cinema: três diálogos.” Os diálogos abordados foram o espaço real, quando o cinema se apropria da arquitetura existente, os cenários, criados a partir da arquitetura real de determinada local e tempo histórico, e a visão distópica, das cidades futuristas, quando o cinema inventa projetos arquitetônicos.

Para demonstrar a proximidade entre as duas áreas, ele cita três semelhanças entre cinema e arquitetura. A primeira delas é que ambas constroem espaços. A segunda, são atividades que precisam de muita gente serem realizadas. E a terceira é que, mesmo com tantos envolvidos, são obras com um autor único.

“Para tu fazeres a Torre Eiffel, tu precisa de muita gente. Para fazer o 2001: Uma odisseia no espaço, pô, olha o baita rol, um monte gente. Mas mesmo não podendo abrir mão de tanta gente, as duas têm um autor, um criador, um ser individual. A Torre Eiffel é do Gustave Eiffel. 2001 é do Stanley Kubrick.”

Uma das provocações trazida por Leônidas para o debate foi: “Será o cinema aquele que mais propagou a arquitetura, muito mais que os próprios livros de arquitetura? Porque o cinema é visto por milhões, é um canhão da arquitetura. As pessoas vão a Oxford para visitar a escola onde foi gravado o Harry Potter. Porque viram no filme.”

Atualmente, Paulo Leônidas se dedica à produção de duas séries de televisão, com roteiros seus: uma documental, sobre economia azul, para a TV Cultura e outra ficcional, uma série policial que será rodada em Gramado que vai ao ar no Canal Brasil e na TV espanhola. Além das séries, está em andamento uma pesquisa sobre a visão das cidades brasileiras através dos filmes.

Para 2018, projeta rodar um longa metragem, com um roteiro seu, premiado recentemente na Argentina.


FONTES:
TEXTO: Matheus Chaparini/ Jorna JÁ.
FOTOS: Sabrina Ortácio - Assessoria de Imprensa IAB RS
LINK JORNA JÁ: http://www.jornalja.com.br/sera-o-cinema-aquele-que-mais-propagou-a-arquitetura-provoca-paulo-leonidas/